quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010
De volta pra "casa".
Calor de 40 graus, telefone roubado, problemas para se resolver, tumulto... Welcome to Rio.
Foi muito bom enquanto durou.
A moral da história? Bem, apesar de só ter conhecido uma cidade, posso falar com propriedade:
A China é um lugar incrível, que todos deveriam conhecer. É aonde o mundo se encontra. Tinha a sensação de estar a frente do meu tempo, e estava já que a diferença pra cá é de 10hs a mais, mas parecia que estava a anos luz do que eu conhecia como mundo.
Descobri que é possível se viver com dignidade, qualidade de vida e segurança, mesmo tendo uma economia emergente e uma moeda desvalorizada.
Conheci o que é cultura, tradição e honra.
Vi gente do mundo inteiro e chineses de todos os tipos, gordos, magros, loiros, bonitos, feios, gagos, até chinesa com cara de paraíba eu vi.
Minha mãe diz que chinês é tudo igual, realmente eles se parecem, mas eu cheguei a conclusão de que mais uma vez, os chineses saíram na frente. Enquanto os ocidentais ficam discutindo ética, os chineses já fazem clonagem há muuuuito tempo.
Pois bem, espero que vocês tenham curtindo minha aventura junto comigo. Meu sonho realizado.
Pros amigos que não estão no Facebook, aí estão as principais fotos:
sábado, 6 de fevereiro de 2010
(Last) Day 12
E posso dizer sem medo que acabou de forma, hmm, peculiar.
Fui, finalmente, fazer meu tour pela Muralha da China, por uma agência
que faz a visita a um ponto da Muralha e as Tumbas Ming. Resolvi não
fazer a caminhada de 9km que fazem aqui no albergue.
Entrei na van que já tinham 4 pessoas e claro, dormi no caminho (por
algum motivo infeliz, acordei às 4 da manhã e não consegui mais dormir).
Quando abro os meus olhinhos na chegada da Muralha, sabem o que eu
vejo?! Neve! Muita neve, caindo do céu.
Pela'mor... que frio era aquele???? Eu não sabia que o gelo chegava a
essa potência. Meus dedinhos dentro das luvas estavam congelados, meu
nariz caiu, meus lábios ficaram roxos e eu acho que eu morri por um segundo.
Nesse grupo, além de mim, estavam um casal de finlandeses e dois homens,
um alemão e um esloveno. A guia pentelha, largou a gente ali e começamos
a subir. Os homens foram muro acima, eu fui a última a começar a subir e
encontrei a mulher no meio do caminho. Trocamos um olhar de "que porra é
essa" enquanto o vento rachava nossa pele, e foi aí, no meio de duas
palavras tortas que ela me disse que estava grávida!!!!!! De seis
meses!!!! Eu achei que ela era só gordinha, por baixo dos casacos, uai.
Mesmo sabendo a resposta, resolvi perguntar se ela podia estar fazendo
aquilo. É, não!
O marido, pai da criança, já estava lá na Mongólia, imbecil. Achei
melhor ir subindo aos pouquinhos com ela, batendo um papo. Ela era muito
simpática até então.
Alguns degraus tinham uns 35cm de altura (mesmo) e tudo escorregava
muito (eu quase levei um estabaco, que acho que ia entrar pra história
da China. Me salvei. Ufa, não quebrei nada.). Então fomos nós, aos
pouquinhos, até que chegamos a 1ª parada e resolvemos que íamos ficar
por ali mesmo. Afinal de contas, não fazia o menor sentido subir mais,
porque quanto mais alto, pior era a visibilidade.
Mas admito que é impressionante, pensar que aquilo tudo foi construído
há tanto tempo, no braço, pedrinha por pedrinha... Muralha da China é
artesanato.
Enfim, tiramos umas fotos, fizemos uns amigos coreanos que passaram por
ali, enquanto isso, neve... e cadê o marido?!
Quando o alemão e o esloveno voltaram, resolvemos descer também, devagar
se vai ao longe.
Lembra que pra baixo todo santo ajuda? Na China não tem santo.
Então, descemos degrau por degrau, a passinhos de chinesas. Ela
praticamente se sentava pra descer alguns e segurava no corrimão, que
aliás, é de ferro e estava cheio de gelo, serve pra nada aquela bosta.
Fomos conversando sobre o tempo (falta de assunto é foda) e começamos a
falar sobre os países quentes e ela disse que da próxima vez queria ir
pra um país desse. Foi quando ela disse que a Indonésia seria um país
legal, mas tem muita pobreza e ela não gosta (!), ok, tá cheio de gente
por ai que prefere fechar os olhinhos, mas então ela disse que a África
do Sul também seria um país legal, mas se você é branco não é bom, por
que lá só tem negro. Aííííí meu bem, deixei a vaca se fuder sozinha na
neve e mandei a mulher pra puta que te pariu, junto com a puta que ia
parir o filho dela. AAHHHH!!!
Tá bom, volta a fita. Eu não fiz isso, porque eu sou uma pessoa melhor.
Fingi que não ouvi e continuei a descer do lado da mulher. Pelo menos
teria alguém pra gritar, se precisasse, né?!
Finalmente, chegamos lá embaixo e corremos pra van quentinha.
De lá fomos para a Jade Gallery, pra ver como as peças eram feitas a
partir das pedras de jade, comprar e boooring. Tá, eles fazem umas peças
maneiras, mas eu queria mesmo era ir para as Tumbas Ming, que era a
próxima parada do roteiro.
Desculpa, gente. O nome Tumbas Ming dá a sensação de que muito maneiro,
né? ...
Muito gelo, escorregava a beça, e a parte mais interessante que é um
palácio subterrâneo, é fechado pro público. Ah, vai catar floquinho de neve.
Depois dessa pequena decepção, fomos almoçar. Nunca vi um restaurante de
beira de estrada tão grande, tão chique e tão gostoso. Acho que foi a
melhor refeição chinesa que eu tive aqui. Não tinha um cardápio com
fotos bonitas pra gente escolher na sorte, eles traziam aquela
quantidade absurda de comida, mas variadas, não era muito apimentado e
tinha mais gente pra comer comigo. Eeeeeee!
Enchi o bucho e queria voltar pro meu quarto e tirar uma soneca, mas
quem disse que acabou?!
Fomos pra uma fábrica de seda, ouvimos toda a explicação de como é
feito, desde o bichinho da seda (que eles também comem por aqui) até o
edredon de seda. Blá, blá, blá, bom preço, boa qualidade, quem vai
querer?!?!?!
Ninguém comprou nada e fomos pra uma casa de chá.
E mais uma vez, explicação do chá que faz bem pra saúde, pra artrite,
pro sono, chá disso, chá daquilo. A parte boa é que fizemos degustação
de 4 tipos de chá. E quem vai querer comprar chá...
Última parada: massagem no pé! DE GRAÇA!!!!!!!! AAAAEEEEE!!!! Foi a
melhor parte do meu dia. Fomos pra um centro de saúde tibetano. Que fica
no espaço que foi criado pra atender os atletas durante as Olimpíadas e
agora abriram ao público pra utilizarem o espaço, né?! Será que contaram
pro Eduardo Paes e pro Sergio Cabral que pode usar os espaços depois?
Acho que eles não tão sabendo, não.
Críticas políticas à parte, a massagem não foi assim uma Brastemp. Não
se compara a massagem que eu fiz aqui perto do albergue. Mas era
massagem e era di grátis!!!
À noite, começou a nevar aqui também. Mas eu não vou levar à mal e vou
aceitar isso como um presente dos Deuses, pela minha visita.
É lindo ver a forma perfeita de um floco de neve. Dá até vontade de
congelar e levar pra casa. (!!!!!!!!!!!!)
Então, para me despedir de Beijing, fui com a Manu e com a Sandrine
tomar um drink e voltei pra fechar minha malinha e mimir pra voltar pra
minha casinha amanhã.
Pena que acabou. Realmente, realizei um sonho. O que vi e vivi aqui,
ninguém poderia me contar.
Mas estou feliz por voltar pra casa, matar a saudade da mamãe histérica,
da família, dos amiguinhos, da comida. Alguém me dá um prato de arroz,
feijão, bife de picanha e batata frita, por favor?! Troco por um
chaveirinho de panda.
E depois do frio que eu passei hoje, bora pra praia.
Esse é o último post de Beijing. Quando chegar em casa, escrevo o post
de despedida e coloco o link pra todas as fotos. Mas coloquei uma prévia aí.
Beijings,
Zài Jián
sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010
Days 10 & 11
Não escrevi ontem, eu sei. Mas não tinha muita coisa pra contar mesmo,
então vale um post compacto.
Ontem, saí de manhã e fui andar sem rumo ali pela área da Tian'anamen,
encontrei um parque, sentei um pouquinho, pensei um pouco na vida, andei
um pouco pelo parque, que tem uma área infantil e é a coisa mais fofa!!!
As crianças asiáticas são fofas demais.
Já à tarde, voltei pro albergue... tá bom, desculpa, comprei um lanche
no McDonald's e voltei pro albergue. Comi vendo um filminho, tirei uma
soneca, vi mais um filme e fui caçar meu jantar. Descobri uma
mini-lujinha de conveniência aqui na rua (falei que essa rua é o que
há), de um casal muito simpático, comprei o jantar e a sobremesa: um
baldinho de noodles instantâneo (tô viciando) e uma caixinha que vem com
2 bolinhos, que são uma espécia de alfajor, coberto com chocolate e
recheio de marshmallow. Ainda comprei um chicletinho e isso tudo me
custou 8 yuans, algo em torno de R$2.
Claro que depois dessa voltei na lujinha, né?! Mas isso vocês podem ler
daqui a pouco.
Hoje, eu iria à Muralha, mas depois de os cabras me acordarem às 7h30 da
manhã, me perguntaram se poderíamos ir amanhã, porque hoje eu teria que
ir sozinha e amanhã tem um grupo pra ir. Como prefiro andar em bando, em
certas circunstâncias, topei.
Então, tomei meu café e voltei pra dormir, sóóó mais um pouquinho.
Acordei, fui tomar meu banho quentinho, enquanto pensava o que faria
hoje: vou pro mercado. Desculpa.
Peguei meu ônibus em direção ao Yashow, saltei em frente ao mercado,
atravessei a passarela e voilá!
É um mercado bem bonitinho e muuuito mais civilizado. Não tem tanta
variedade em termos de produtos quanto os outros mercados, mas os
vendedores somente te abordam ao invés de te atacarem.
Mas também mudei minha tática. Agora eu entro, ando o mercado inteiro,
andar por andar, com cara de quem não quer nada e escolho o que eu
quero, então eu volto e digo só tenho "tanto", quando elas tentam um
pouquinho a mais, digo que aquele é todo o dinheiro que eu tenho, que
pena. Nessa, comprei uma blusa que custava 280 yuan, por 60 yuan. Só
cuidado, elas não podem ver o seu dinheiro e não fazem a menor cerimônia
pra olhar dentro da sua carteira ou da sua bolsa.
É bem verdade que o que eles querem e vender e acabam fazendo qualquer
negócio, mas chega uma hora que dá pena. É preciso ter um pouco de ética
na hora de barganhar também, o que pra gente não vale quase nada, pra
eles faz uma diferença.
Dessa forma, pude me controlar, comprei só o que estava procurando e voltei.
Passei na lujinha, fiz compras de mês, hehehe, brincadeira. Mas fiz uma
sacolinha e fui pra salinha de tv, almoçar meu "Bucket Noodles" (Cup
Noodles... Bucket noodles... ah, deixa pra lá), encontrei a Manu,
almoçamos juntas e fomos dar uma voltinha pra comprar umas frutas.
Pois bem, compramos as frutinhas, resolvemos andar mais um pouquinho,
entramos numa loja de chá, comprei um chazinho, que acredito que não
será confundido com nenhum tipo de entorpecente na PF, e resolvemos
tentar uma casa de chá. Andamos, andamos, e encontramos a "Time for Be
Tea House".
Maluco, por que??? Por que só hoje???? O lugar é um espetáculo. Você
paga 18 yuans, e toma o que quiser, por quanto tempo você quiser.
P-O-R-R-A!!!
Ok, supera e segue em frente! Tomamos uns chazinhos, fumamos um
cigarrinhos (sim, podemos fumar em bares e restaurantes aqui), comemos
umas sementinhas fritas (feijão verde, semente de melão e um negócio que
eles chamam de amendoim, mas só é amendoim na China) e viemos embora.
Mas no caminho, parei numa loja de cds e dvds pra ver se finalmente
encontrava o "Pequenas Flores Vermelhas", filme chinês, lindo, que vi no
Telecine Cult e nunca mais encontrei, não tinha, então comprei um
filmeco por 13 yuans, e vim determinada a cumprir uma missão: Comprar o
meu panda!!!!
Muito contra minha vontade, desisti do plano de sequestrar o panda. Eu
não sabia que eles ficariam atrás de um vidro, isso foi maldade.
Então resolvi comprar um de pelúcia mesmo, mas não consegui encontrar um
do meu agrado, em forma e tamanho, nem nos mercados. Eu não sei porque
diacho eles fazem uns pandas em forma de bola aqui. Não é legal.
Porém, numa loja exatamente em frente ao albergue tinha o cara que eu
queria pra mim, ficava olhando pra ele da janela do meu quarto.
Hoje era minha última chance, então eu fui! Manu me acompanhou na
tentativa de barganhar até a mulher chorar. Não adiantou muito, ela é
meio ruim de jogo.
Eu queria comprar por 120 e ela queria vender por 180 yuans, nos
encontramos no meio do caminho e eu comprei por 150 yuans.
Atravessei a rua, feliz da minha vida, entrei no albergue, as meninas da
recepção ficaram muito felizes por mim (sim, eu já tinha feito uma
corrente por aqui), deixei meu filhinho no meu quarto e agora vou fazer
um lanchinho vendo o filmeco que eu comprei e vou subir pra arrumar as
minhas malas. :'(
E amanhã, finalmente vou à Muralha da China e ao Ming Tombs.
Tô chegando, meu povo.
Beijings
quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010
Day 9
Meu nariz parou de sangrar. É ele ficou bem irritado com o tempo, mas
agora ele já aceitou.
O china curou minha perninha, que doía um monte e agora não dói mais,
mesmo quando eu ando.
E eu fiz uma amiga. Ela é francesa e se chama Emanuelle (coisas das
quais ela não tem culpa). E ela fala português, morou alguns meses no
Brasil, no Pará (relevem) fazendo pesquisa, ela trabalha com
agricultura, whatever. E o português dela não é ruim, não. Ela me
ajudaria muito se fosse trabalhar na Air France, porque aquele povo só
fala francês e olhe lá. Entender o inglês deles é mais difícil que
entender o inglês dos chineses. O Português então, chega a ofender.
Bom, Manu (bem melhor, né?!), Sandrine (outra francesa aqui) e eu, fomos
almoçar no Luogu, um restaurante que tinham me indicada no Orkut e fica
aqui na rua do hostel. Claro que veio comida pra um batalhão, muito
gostosa e claro apimentada. Não sei qual é o problema desse povo com a
tal da pimenta.
Depois Manu e eu fomos para o Parque BeiHai, é muito bonito! Tem os
pequenos templos, um lago congelado (oooohhhhh), e um templo tibetano no
meio do lago, chamado White Dagoba. É uma porrolha branca no meio do
parque. Andamos o parque inteiro o que é sempre muito agradável e muito
divertido de assistir os chineses que ficam dançando, cantando, gravando
uns videozinhos esquisitos.
No caminho de volta, paramos na China Mobile, porque a Manu queria
comprar um celular, mas como aqui não tem competição entre Oi, Claro,
Tim e Vivo, a China Mobile só vende os números, você compra o aparelho
em outro lugar. Só que eles estavam sem número hoje!!!!!!!!! É, hoje não
tinha mais número, agora só amanhã, que deve chegar mais. Que porra é
essa????
Passamos na tal da Suning, que é uma grande loja de eletro e eletrônicos
aqui pra Manu comprar o aparelho. Quase morri, querendo comprar uns 3
modelos diferentes de celulares que a gente não vai ver nem tão cedo, e
mais um monte de coisas que deixariam a cozinha da mamãe muito feliz e a
japonesa nerd por eletrônicos que me habita, também.
Final das contas, ela comprou o aparelho dela, nos divertimos muito com
o vendedor que não falava um pingo de inglês e voltamos pro albergue.
Assisti metade de Bastardos Inglórios tomando um chocolate quente e
agora vou me aconchegando, aproveitando meus últimos dias de soninho no
inverno.
Beijings,
Zài Jián
terça-feira, 2 de fevereiro de 2010
Day 8
Fui para o Templo do Céu, andei pra cacete, mas não estava perdida,
tinha que andar mesmo.
Lá dentro é muito legal, bem mais histórico do que bonito. Mas vale uma
voltinha pelo parque que circunda o templo, aonde os chineses passeiam,
praticam tai chi e cantam. Sim, cantam.
Em seguida fui para o Mercado das Pérolas. Cruzes. Não quero voltar lá,
não. Gastei todo o meu dinheiro em menos de meia-hora. Loucura, loucura,
loucura. A merda é que o carregador de pilhas que eu comprei, NÃO
FUNCIONA. Velha safada. Até queria voltar lá, mas não sei brigar em
chinês e a menina do albergue disse que não vale a pena. Nem foi muito
baratinho, não. Mas a turista otária aqui tava crente que tinha feito um
bom negócio comprando um Sony. Espero que o pen-drive funcione direito. PQP.
Enfim, voltei pro albergue, almocei às 4 da tarde, assisti "2012" (pra
que?!?!?!) e resolvi ir fazer uma massagem nos pés. Sim, porque na
China, a perua viciada em massagem que existe em mim, aflora feito um
dragão.
Chegando lá, dei de cara com uma tal de massagem pros rins. Bom,
massagem na China, mal não vai fazer. Resolvi fazer essa também.
Encontrei o pai da minha filha chinesa. Não, ele não é rico, não é
bonito, não entende o que eu falo (e vice-versa, o que pode ser bom pra
nossa relação), mas ele faz uma massagem feeenooooomeeenaaalll!!!
Ok, a verdade é que ele é um vendedor chinês de marca maior, mas com
mãos de fada. Enquanto ele preparava meu pé para a massagem, me ofereceu
o serviço de pedicure. Aceitei. Bom, depois de um escaldapés, numa sala
silenciosa com cheirinho de incenso e um cara apertando meu pé, eu não
tinha condições de dizer não pra nada. Se ele oferecesse raspar minha
cabeça por 300 yuans naquele momento, eu provavelmente aceitaria.
Pedicurizinho... começamos a massagem, a cada expressão de dor ou alívio
que eu fazia, ele dizia "esse é o estômago", ou "esse é o sono", "as
costas" e assim por diante. Depois de estar perdidamente apaixonada,
mudamos de sala para a massagem do rim.
Ele pediu pra eu tirar a blusa (hhhhmmmmm) e deitar (de barriga pra
baixo, gente) e começou a massagem. PQP, como doía e cada "ai" que eu
dava ele perguntava: "it hurts?" - Não, tô gemendo de prazer, china
idiota.
Sem contar que ele apertava, eu dizia "ai", "yes, it hurts" e ele
dizia: "no good, no good". Poxa, isso magoa.
Maaaas, antes de acabar ele pegou a tabelinha e me ofereceu mais uma
massagem para as costas e para os ombros. NÃO! Estava tudo acabado entre
nós.
Na real, eu não conseguia nem pensar no caminho de volta, parecia que eu
estava derretendo. Comprei um biscoitinho na recepção, subi e ninei como
um bebê.
Notas:
Os comerciais do OMO e do Close-Up na China são muito mais legais que no
Brasil.
KFC aqui vende milho cozido no palitinho.
Zài Jián
segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010
Day 7
Brasil na China. Tudo por causa de um terremoto que aconteceu em
Sichuan, sudoeste do país. Só pra relembrar: eu estou no norte do país.
Aquele N que fica do lado oposto do S, na bússula.
E eu nem sabia, tava dormindo, tranquiiiila. Aliás, ô coisa boa de se
fazer aqui, nesse frio...
Ok, não é segredo pra ninguém que eu gosto de dormir, mas é que pode-se
ser muito bem aproveitado, por exemplo:
Um frio da porra do lado de fora, quarto aquecido, pijama de inverno,
escuro e silêncio. Daí, não é só "dormir", é a "arte de dormir".
Enfim, drama à parte, fui. E pra melhorar o dia, não me perdi!!!! Acho
que é a primeira vez que saio sozinha, que isso acontece, ou melhor,
não acontece.
Fui pro lado certo da rua (!!!!!!), peguei o ônibus, saltei na parada
certa, peguei o metrô, conversei, ou tentei conversar com uma chinesa
muito simpática que ficava tentando treinar o inglês dela comigo e me
ajudar a chegar na estação certa (só que DESSA vez eu não precisava), e
tcharam! Cheguei ao Palácio de Verão. Tô ficando local em Pequim!
Logo na entrada, na fila do ingresso, conheci um australiano e um
francês e resolvemos andar juntos pelo Palácio. Os carinhas eram
maneiros, mas não consigo me lembrar os nomes de jeito nenhum.
O palácio é lindo e enorme. E adivinhem o que tem lá (quem acertar essa
ganha um chaveirinho de panda): Escadaaaa!!! Mas pelo menos, eram em
doses homeopáticas.
Dentro do palácio pra se acessar alguns lugares, você tem que passar por
umas caverninhas feitas de pedra, um charme. E como não podia deixar de
ser, um lago congelado, pra colaborar com o frio, que é pouquinho......
Na saída, já eram 14h30 e almocei uma panqueca chinesa (que treco bom),
me despedi dos coleguinhas gringos e fui para o Templo Lama. Um dos
melhores lugares que vi até agora.
Encontrei a budista que existe dentro de mim.
No caminho da saída do metrô até a entrada do Templo, tem uma infinidade
de lojas de incensos. Quando entrei entendi o porquê.
Esse é um verdadeiro templo budista. Lá dentro é um lugar de oração e
reflexão, cheguei até a me sentir um pouco desconfortável, com a
sensação de que estava incomodando, querendo tirar fotos, enquanto as
pessoas, acendiam seus incensos e faziam suas orações. Mas eu não pude
evitar, o lugar é lindo, as imagens são lindíssimas. Se alguém me
disser que existe um templo budista mais bonito que esse, eu pago pra ver.
Ah, lembra quando eu disse que no Parque Jingshan estava a maior imagem
de Buda que eu já tinha visto (se não lembra vai ler o histórico)?
Então, menti.
No Templo Lama, existe um Buda que é uma espécie de Cristo Redentor, só
que fica dentro de um templo. Sério mesmo, não dá nem pra tirar foto, e
dá um torcicolozinho básico ficar olhando pra ele.
E lá, quem cuida do templo não são os guardinhas que ficam me encarando,
parecendo até que sabem que eu sou brasileira, os guardiões do Lama são
os próprios monges. Não que eles não fiquem me encarando também, mas tem
mais charme, hehehehe.
Até que mandaram todo mundo embora porque o Templo estava fechando.
Sacanagem.
Voltei pro albergue, comi um mega hamburguer com fritas e uma sprite
(que além de chá, é a única coisa que eu bebo aqui) e fui pro meu
quarto. Eu não sei o que acontece nesse quarto, que só de entrar me dá
um soooono. Dormi com as galinhas de novo.
Hoje vou ao Templo do Céu, esse nome me dá a ligeira sensação de que vou
ver muita escada.
Beijings
Zài Jián
domingo, 31 de janeiro de 2010
Day 6
tenho mais uma semana aqui, passou tão rápido.
Bom, ontem fui dormir com as galinhas, então acordei super cedo hoje,
peguei leve no café da manhã (meu estômago já estava reclamando do ovo
frito nosso de cada dia) e fui passear, com a intenção de não andar
muito pra cuidar da minha perna. Até parece... andei a beça.
Como estava cedo, não tinha muita coisa aberta, pra minha sorte, então
fui pro HouHai, caminhei um pouco por ali e resolvi fazer um tour pelas
hutongs. Esses tours são feitos de "bicicleta", cabem até 2 pessoas,
você senta ali com um cobertorzinho em cima das pernas e o "chinoca" vai
pedalando, calmamente pelas hutongs, pára numa casa de um príncipe aqui,
outra ali.
O melhor, é que eu não tive que ficar barganhando preço com o cara, é
tabelado, meu bem. Chiquérrimo. Tem até um número de telefone para
reclamações.
Claro, que no fim o cara não me deixou ir embora enquanto eu não desse
uma gorjeta.
Voltei pra minha ruazinha e resolvi experimentar o tal HotPot no almoço.
Paguei 35 yuans pra almoçar sozinha, aonde poderiam ter comido uns 5. Os
chineses comem como se fossem a última refeição no corredor da morte.
É difícil explicar. É uma comida tradicional aqui, é feito como se fosse
um fondue, só que ao invés de óleo, eles trazem uma "panela" enorme com
água fervendo e temperos, e aí você escolhe quais carnes ou vegetais e
molhos você quer, joga na água, cozinha rapidamente, mergulha no molho e
come. É muito bom, mas é comida comunitária, pra uma pessoa é comida pra
uma semana. Mas como estou na China e abusada, fui à sobremesa, waffle
com nutela e um crepe (deeeelicioso) de banana com nutela.
Reinventaram meu conceito de crepe.
E finalmente, fui assistir ao show de acrobacia no Teatro Tiandi.
UUUAAAUUU!!! Descobri que TUDO é possível. Os caras são umas lagartixas
bípedes, que desconhecem a lei da gravidade.
Lógico que eu não pude tirar foto, mas se minha palavra vale de alguma
coisa, digo, que se eu tivesse asma, tava na mer**, porque tô sem ar até
agora.
Pra "piorar", a trupe se chama "Estrelas do amanhã", se tiver algum com
mais de vinte anos ali, tem vinte e dois, o safado.
E eu com dor porque distendi um músculo, subindo escada. PQP!!!!! Sem
comentários.
Chegou um momento em que até meus aplausos ficaram escassos, esquecia,
de tão concentrada, chegava a irritar. Mas queria muito ser amiga de um
maluco daqueles, só pra poder dizer: "Sabe o que o meu amigo sabe fazer???"
Esse é um show que realmente vale a pena, meus amigos, tirar um diazinho
(hehehehehe) pra vir assistir. Quero dizer, 3 dias, um pra vir, um pra
ver o show e o outro pra voltar. Mas vale a pena mesmo assim.
Os chineses aprenderam a voar e nem contaram nada.
Até esqueci quais eram as notas de hoje.
Vou sonhar com essa po**a.
Zài Jián
sábado, 30 de janeiro de 2010
Day 5
O dia foi ótimo.
Peguei o ônibus, saltei no lugar certo, dei de cara com uma casa de chá muito da bonitinha, parei, é claro, tomei um chá delicioso e fui para a Praça da Paz Celestial.
Quase dei pulinhos de alegria, quando vi aquele lugar, mas já me encaram o suficiente por aqui. Enfrentei a cavalaria de turistas e entrei.
AAAAHHHH! Como é lindo. Infelizmente, eles não deixam entrar com bolsas e nem tirar fotos no museu do palácio. Mas na porta, com a foto do homem taí.
Só que o lugar é tão grande, que quando eu saí, o memorial do Mao Tsé Tung, já estava fechado.Vou ter que voltar, fazer o que?!
Parece que é nesse memorial que está embalsamado o corpo do homem, não deixam tirar fotos lá também, pois é um lugar meio que sagrado para os chineses. Depois eu conto.
Como minha perninha estava doendo, resolvi pegar leve e chutar o balde (com a outra perna). Fui para o Mercado da Seda. Aff, que loucura.
Tem de tudo um pouco, vendedoras desesperadas para tudo que é lado e os produtos mais atraentes do mundo, até porque são todos os produtos do mundo.
Acho que estou aprimorando minhas habilidades de barganha, se bem, que aqui não é tão difícil, faz uma carinha de quem comeu e não gostou, faz que vai embora, que não está tão interessado... fica nessa por alguns minutos e pronto. Compra efetuada com sucesso.
Comprei até as lembrancinhas dos amiguinhos: chaveirinho de panda pra tooodo mundo!!!! EEEEEE!
Depois de lutar com todos os meus demônios internos, entrei no metrô e voltei pro albergue. Ok, parei no McDonald's no caminho, é bem... McDonald's.
Ainda não sei o que vou visitar amanhã, mas à noite vou assistir os acrobatas chineses. Isso vai ser bom.
Notas:
- Se você estiver carente, venha pra China e visite um mercado. Todos te querem!
- Se você vier pra China e um homem/mulher ficar te encarando, cuidado com a animação, ele(a) não está dando em cima de você, está só te encarando mesmo, especialmente se você for negro.
- Realmente, se fuma muito aqui, mas quase não se vê mulheres fumando. Porém, na hora de cuspir no chão, é pra família toda.
Zài jián
sexta-feira, 29 de janeiro de 2010
Day 4
Sabe o que eu fiz?? Nada.
Tomei café da manhã com meus amiguinhos britânicos, nos despedimos (pois
é, meus amiguinhos foram embora) e depois passei o dia na sala de tv,
largada no sofá com meu edredom, o friozinho de hoje estava delicioso,
pedi meu almoço no bar do albergue (um risoto com vegetais, frutos do
mar e cogumelos, divino.) e só saí de lá às 18h30 para ir dar uma
caminhada pela ruazinha do albergue, mais um vez.
Eu não me canso desse lugar, toda vez que eu ando por aqui descubro que
tem, pelo menos, umas duas lojinhas que eu ainda não vi.
Eu adoro essa rua, é um dos pontos turísticos da cidade. Tem de tudo,
bar, restaurante tibetano, coreano, ocidental, crepes, waffles, churros
(deliciosos), pub australiano, pub britânico, loja de roupa, de sapato,
bijuteria, bonequinhos, bichinhos de pelúcia, cerâmica, porcelana, uma
quantidade interessante de lojas de caixas de fósforo, e tudo isso sem
perder o charme. Além das casas de massagem e manicure (que ficam no
mesmo lugar), marquei minha massagem e descobri meu verdadeiro destino:
Morar numa hutong da Nanluogu Xiang (rua do albergue), tomar chá todo
dia, abrir uma loja de qualquer coisa (quem sabe vendendo, eu paro de
comprar) e, pelo menos, 3 vezes por semana ir fazer uma massagem
fantástica de 1h20 por R$ 25.
Claro que a pobre da menina sofreu pra tirar todos os nós da pessoa, mas
o impressionante é que ela tirou, e eu cheguei a dormir de tão relaxada.
Quase chorei quando ela disse "finish". Voltei rapidinho pro meu quarto
e dormi feito um anjinho.
Amanhã acho que vou à Tian'anmen Square e ao Summer Palace, mas deixa a
vida me levar.
Zài Jián
quinta-feira, 28 de janeiro de 2010
Day 3
Parece que é ruim, mas foi, o que eu acredito ter sido, o dia mais esperado. Fui ao Zoo, ao Olimpic Green (só pra dizer que fui, né?! Já que vim até a China...), e fui a feira de bichinhos nojentos no palitinho. Como eu sou muito legal, vou anexar duas fotos, que eu espero que apareçam, senão, vocês vão ter que esperar eu voltar, mesmo, sinto muito.
Começamos pelo Zoo, John e eu pegamos o ônibus, certo, lotado e falante, com motorista maluco, como todos.
- Ah sim, os ônibus aqui falam, eles têm alto-falantes, por onde os motoristas, todos loucos, ficam gritando com quem pára no caminho deles. -
Chegamos ao Zoo, fizemos mais mímica pra comprar os tickets que a gente queria e entramos no meu paraíso particular. De cara, chegamos à Panda House. AAAAAAAHHHHHHHH!!!! Eles são lindos demais, fofos demais, gostosos demais, perfeitos demais. Não queriam nada com a vida, estavam pouco se importando com a presença de um monte de turista babando (assim como a maioria dos animais no zoo).
Depois de babar muito, pensar em vários planos que seriam bons o suficiente para sequestrar o ursinho e chegar a conclusão de que não seria possível, desapeguei e fomos ver o resto do zoo.
Vimos macaquinhos, leão, tigre... sabe aqueles bichos que ficam no zoológico? Então, a gente viu. E fomos pro aquário. Golfinhos!!! EEEEEEEEEE!!!!
Ok, só tinham dois num tanque, cheio de água azul, o que significa que tirei fotos azuis com silhuetas de golfinhos, brincando, lindos. E depois de babar muito, pensar em vários planos que seriam bons o suficiente para sequestrar o "peixinho" e chegar a conclusão de que não seria possível, desapeguei. Andamos mais uns 20 minutos pra conseguir sair dali. O lugar é gigante.
Continuamos nosso tour do dia pelo Olimpic Green, o centro olímpico, onde ficam os estádios que foram usados em 2008.
Pegamos o metrô, uaaaauuuu, é muita tecnologia, tudo eletrônico, o mapa das estação tem letreiros luminosos que informam em que estação você está, qual é a próxima estação e dentro do trem também tem umas televisões, que enquanto mostram toda a publicidade da China, também informa a estação em que está, qual é a próxima, a hora... e fora do trem têm monitores, um do lado do outro, também com publicidade (que é a alma do negócio) pra você ficar assistindo enquanto viaja entre uma estação e outra. Aí você saí dali e vai comer no McDonald's tomando uma coca-cola bem gelada. Bom, a idéia é essa.
Enfim, depois de trocarmos de linha umas 3 vezes, o que também não é nada complicado, se você seguir a sinalização certa, chegamos ao centro olímpico. Pra que?
Ok, é maneiro, mas comparado com o que se tem pra ver aqui, :-P .
Almoçamos por ali mesmo, um balde de noodles instantâneo e uma coca-cola chinesa. Só que não é essa coisa de Cup-Noodles que a gente tá acostumado, o negócio é muito do bom. Em conpensação, a Coca-Cola, não é maneira, não. Fico com a brasileira.
Depois entramos no estádio lá, do ninho de passarinho. Adivinha?! Mais escadas! E como já mencionei o frio tava cortante. Chegamos lá em cima e vimos uma grande pista de gelo, com umas esculturas maneiras, um labirinto, uma banda pop-rock-emo-chinesa tocando ao vivo e é isso. Mas se não tentássemos como iríamos saber? Ok, supera e parte pra próxima.
E a próxima, meu bem, era a Wangfujing Street, e é lá que o bicho pega, ou melhor, pegam os bichos. São vááárias barraquinhas de feira, que ao invés do espetinho de frango que a gente conhece, fritam os escorpiões, cobras, cachorrinho, barata, gafanhoto, cavalo-marinho, estrela-do-mar... É lógico que eu não comi, mas o John comeu, escorpiões, cobra e descobriu que já tinha comido cachorro. De acordo com ele, os escorpiões só tem gosto da farofa de curry e é crocante e a cobra tem gosto de nada.
Comprei cigarros chineses, afinal de contas, tá no inferno, abraça o capeta.
Voltamos pro hotel e uma hora depois encontramos as meninas para irmos beber a preço de banana. E assim o fizemos. Ou seja, tô dolorida e de ressaca.
Hoje vou ver a vida passar na China, porque eu posso.
Vou fazer uma massagem, ver uns filminhos, pedir umas comidas no bar do albergue...
Ai, ai, vidinha tá difícil...
Notas:
- Aqui a febre do momento também é frozen yogurt. Mas os churros são incríveis.
- Eu tô recebendo todos os emails de vocês e quando escrevem no meu mural no Facebook, eu não posso responder, mas eu recebo por email. Fico feliz que vocês estejam gostando. Eu tô amando.
Zài Jián
quarta-feira, 27 de janeiro de 2010
Day 2
Acordei cedo (até demais), liguei a tv, que só tem canais em chinês,
claro, e fiquei assistindo um show de talentos. Incrível. Eles são muito
ruins, mas é engraçado. É uma espéciade Se Vira nos 30, em chinês.
Então, desci, tomei meu café da manhã e comecei a andança, sem rumo.
Acabei chegando nas Drum e Bell Tower, ambos os lugares são lindos,
porém, escada paaaaara car••••. 75 degraus cada torre, deve ser por isso
que chamam de torre. Quando cheguei na Drum Tower estava tendo uma
performance com os tambores, pena que só tinha eu assistindo.
Depois fui para a Bell Tower e depois de subir mais 75 degraus me
deparei com: um sino gigante! Mas a vista é incrível.
Saindo de lá, andei, andei, andei e resolvi pegar um ônibus para ir até
a Cidade Proibida, depois de muita mímica, entrei no ônibus, paguei o 1
yuan da passagem (algo em torno de R$ 0,70) e... me perdi!
Ok, peguei um taxi. Mas o importante é que eu cheguei.
Fui atacada por 5 vendedores, tentando fazer qualquer negócio pra vender
cartão postal, livro, mapa, tour (comprei uns cartões postais, mas é
segredo) e finalmente, consegui entrar.
O lugar é imenso e estava cheio de turistas, chineses em sua grande
maioria. Acho que levei umas duas horas pra andar tudo. Que sonho. É, a
turista otária chorando no meio do Palácio, era eu.
Melhor, na saída da Cidade Proibida fica o Jingshan Park, cuja entrada
custa 2 yuans. Mais escada. Só que dessa vez, a excitação se transformou
num sentimento que eu não conhecia: paz. Tão intensa que era difícil de
reconhecer, foi muito bom passar esse tempo comigo mesma (enquanto eu
subia as escadas, é claro.), até esqueci de tirar fotos (foi mal). Só
que quando achei que tinha descoberto a pólvora, bobinha, dei de cara
com a maior e mais bonita imagem de Buda que eu já vi. Enorme, coberto
por um manto amarelo, com mantras tocando, incensos e "oferendas" ao
redor. Infelizmente, é proibido tirar foto. Até tentei dar um jeitinho
brasileiro, mas era tanto guardinha de olho na turista que eu achei
melhor deixar pra lá. Melhor ser presa tentando roubar um panda do que
tentando tirar uma foto.
Achei melhor descer pra não levantar suspeitas.
E no parque estavam todos aqueles chineses escrotos, andando por aquele
lugar lindo como se fosse a coisa mais natural do mundo. Palhaçada.
Tinha até um cara treinando saxofone, e ele não era ruim, não. Sentei um
pouquinho pra ouvir, enquanto uma meninha brincava de pique-esconde
comigo, por trás das árvores.
Aliás, se você acha que a população da China é grande, se preocupa, não,
porque só aumenta. Tem muita criança por aqui, muitas meninas,
inclusive, o que é gostoso de ver, se pensar que há pouco tempo atrás
isso não era possível.
Enfim, saí andando mais uma vez, parei numa lojinha, me fudi, comprei,
ganhei informações do vendedor sobre como voltar pra hotel, peguei o
busum e adivinha: me perdi.
Hoje tive a confirmação de que os deuses me guiam por aqui. Desci do
ônibus, me perdi, encontrei o centro de informação ao turista, a vaca da
mulher me deu a indicação errada (JURO que deu), dei 3 voltas no
quarteirão, quando finalmente resolvi ir pra onde eu queria, pronto,
cheguei no hotel!
Mas até que essas voltas não foram tão ruins, numa delas encontrei o
Houhai, que é uma área com uns bares e restaurantes e tem um lago no
meio, e nessa época do ano, o lago congela e vira uma pista de
patinação. (Calma, gente. Não vou patinar, já desisti disso.) Tinha até
um bode andando no gelo, é sério.
Me encontrei, cheguei no hotel, fui para a sala de TV, porque no quarto
o Wi-Fi, não é muito legal e fiz amigos!!! EEEEEE!!!
Três britânicos e uma de Cape Town, tivemos a mesma conversa de sempre,
combinamos de sair amanhã e eu subi pra dormir, já que andei de 9am às 4pm.
Fui jantar com o John (JANTAR, SÓ JANTAR!!!!), voltamos andando num frio
do cão e cá estou contando minhas aventuras pra vocês.
Só que eu não contei nenhuma aventura, porque eu não contei como é
atravessar a rua aqui. Semáforo em Pequim é que nem cabine de polícia no
Rio, artigo de decoração. Se você não tiver dois olhos na frente, um de
cada lado e três atrás, babou, meu bem. Eu atravesso seguindo os
chineses, se eles vão, eu vou. Se eles param, eu paro também. Devem me
achar louca. Aliás, começo a achar bom não falar mandarim, assim não
entendo cada vez que eles riem da minha cara, e chamando de turista
otária. Tô turista demaaaaais!!!!
Então, é isso. Amanhã é o grande dia! Podem começar a fazer a vaquinha
pra pagar meu advogado e a fiança porque eu vou pro Zoo, encontrar meus
pandas. Vou passar a noite trabalhando no meu plano de sequestro.
Beijings
Notas:
- Quer fazer um curso de vendas? Vem pra China! É absurdo. Os caras
vendem a mãe e ainda dão desconto.
- Quer ser gari? Não vem pra China, não. Não vi nenhum, o que não
importa, porque não tem lixo na rua.
Zài Jián
terça-feira, 26 de janeiro de 2010
Day 1
Frio da porra!!! Adoro!
Esse lugar é incrível, e olha que hoje nem vi tanta coisa.
Cheguei no albergue, que se pode chamar de albergue apenas pelo preço, porque é uma pousadinha e muito da fofa.
De manhã tomei um "cházinho" de rosas, literalmente. Vem com uns botõezinhos de rosa. O "cházinho" é maneiro de dizer, porque é servido num copo de milk-shake. Praticamente uma refeição.
Depois, saí andando por aí. Descobri que sou guiada pelos Deuses aqui. Me perdi umas 3 vezes e magicamente chego ao lugar que queria. Fui ao Confucian Temple e ao Guozijian Museum (que ficam no mesmo lugar), vi coisas lindas e pessoas interessantíssimas, até mendigos.
Na volta, me perdi nos labirintos das hutongs (que são umas ruelas lindas, com casas antigas) e, não faço a menor idéia de como, cheguei na rua do hotel, que é super bem localizada. Várias lojas, bares... inclusive um pub australiano, do qual acabo de voltar. Cerveja aqui não esquenta.
Durante o pouco que andei hoje já deu pra perceber a diferença de qualidade de vida: Não tem lixo na rua, existem vários banheiros públicos e os chineses são muito felizes. Do tipo que anda cantando e sorrindo no meio da rua.
E, como todos sabem, o rim da menina aqui tem uma monte de pedrinha e ela tem que beber muita água, blá blá blá...
Resolvi me aventurar num banheiro público. Desisti:
Amanhã vou à Cidade Proibida, mais andança.
Agora duas dicas:
Quer parar de fumar? Vem para a China no inverno. DUVIDO tirar a luva pra acender o cigarro. DU-VI-DO.
Quer economizar? Não vem, não. Eu não sei dizer se é o inferno ou o paraíso.
Zài Jián
segunda-feira, 25 de janeiro de 2010
Diário de bordo
São 04h50, horário de Brasil. O que significa que ainda tenho umas 4
horas de vôo.
Até agora já aprendi e me lembrei de coisas muito importantes:
-> Primeiro, a aeromoça francesa me fez lembrar porque estou indo para
Pequim e não Paris. ARGH!
-> Segundo, porque eu trouxe meu computador:
1- Porque vôo tem turbulência, o que leva por água abaixo o plano de
dormir o vôo inteiro. Mas nisso, as poltroninhas à la Gol também ajudam.
Chega a dar pena de alguns seres dessa classe econômica, o que me deixa
muito feliz por ser compacta. Só não estou melhor que os bebês que têm
caminha, chegou a dar saudade desse tempo que nem me lembro.
2- A televisão da Air France não é assim tãããão legal, a seleção de
filmes é ótima, maaaas ela pára no meio do filme, aí você não consegue
selecionar o filme de novo, tem que desligar e ligar de novo, passar o
filme até a parte em que você, ou melhor, em que a TV parou... moral da
história: até agora, joguei uma partida de paciência, perdi; assisti 25
minutos de O Informante; assisti um videozinho da Air France sobre o que
fazer quando chegar na China, isso é legal; assisti 2 episódios de
Friends durante o jantar; E desliguei a televisãozinha para dormir e um
tempo depois descobri que ela é carente e liga sozinha.
-> Descobri que se algum segurança safado do aeroporto disser pra você
que a PF está fechada e que você pode fazer declaracão de bens no
embarque, é mentira desse cabra, você NÃO pode fazer declaração de bens
no embarque. KCT! Mas tudo bem, porque de acordo com o videozinho da Air
France, eu posso fazer isso quando chegar a Pequim.
-> Descobri que o mundo vai acabar em filas
-> Descobri que da próxima vez, vou ser menos pão dura e pagar €50 por
um "seat plus"
-> E que agora vamos passar por mais uma zona de turbulência.
Beijings
Parte II - CDG/PEK
E depois de me perder umas 2 vezes no aeroporto de Paris, que é enorme,
encontrei o meu portão. EEEEEEE
E aos que perguntaram sobre o friozinho na barriga, pois bem, foi nesse
momento que ele chegou. Só tinha chinês esperando, e uma menininha que
era a coisa mais linda do mundo. Era, porque ela está chorando neste
exato momento.
Ok, entro no avião, passa chinês, passa chinês, passa chinês, até que um
senhor (não chinês) que está sentando na poltrona à minha frente, vira
pra trás e pergunta com aquele inglês carregado: "Excuse me, where are
you from?", com toda a simpatia que eu trouxe na mala, respondi:
-Brazil. O FDP responde: "Então somos 2". AAAAAHHHHH OOWWW, pára a
palhaçada!!! Tô indo pra China, porra!
Enfim, abri o sorriso, trocamos meia dúzia de informações inúteis, ele
sentou na poltroninha dele e está quietinho até agora. Beleza, até que
10 minutos depois senta um PORTUGUÊS do meu lado. Tô me sentindo no
"Show de Truman" e vou cortar a cabeça do maluco que tá rindo as minhas
custas. Mas o portuga até que é legal, mora em Pequim e me deu umas
dicas interessantes, trabalha na Embaixada de Portugal e se ofereceu pra
me ajudar, caso eu precise de alguma coisa, disse que vai me dar um cartão.
CALMA, mãe. Eu não disse onde eu tô e nem vou ligar pra ele. Pára!
Então, é isso. Hoje já passei pela França, Espanha, Rússia, Sibéria e de
acordo com a televisãozinha da Air France (que funciona muito melhor do
que a outra) faltam 3 horas e 18 minutos para chegarmos a Pequim.
Olha que coisa, saí de Paris às 13h45 do dia 25/01, em menos de 12
horas, chego em Pequim às 6h40 do dia 26/01, e nem anoiteceu. A vida
aqui em cima é muito confusa.
Agora vou perguntar ao comissário charmoso se posso ir lá fora,
rapidinho, fumar um cigarro
Beijings








