quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

De volta pra "casa".

Nada como um choque de realidade pra te acordar do sonho.

Calor de 40 graus, telefone roubado, problemas para se resolver, tumulto... Welcome to Rio.

Foi muito bom enquanto durou.

A moral da história? Bem, apesar de só ter conhecido uma cidade, posso falar com propriedade:

A China é um lugar incrível, que todos deveriam conhecer. É aonde o mundo se encontra. Tinha a sensação de estar a frente do meu tempo, e estava já que a diferença pra cá é de 10hs a mais, mas parecia que estava a anos luz do que eu conhecia como mundo.
Descobri que é possível se viver com dignidade, qualidade de vida e segurança, mesmo tendo uma economia emergente e uma moeda desvalorizada.
Conheci o que é cultura, tradição e honra.
Vi gente do mundo inteiro e chineses de todos os tipos, gordos, magros, loiros, bonitos, feios, gagos, até chinesa com cara de paraíba eu vi.
Minha mãe diz que chinês é tudo igual, realmente eles se parecem, mas eu cheguei a conclusão de que mais uma vez, os chineses saíram na frente. Enquanto os ocidentais ficam discutindo ética, os chineses já fazem clonagem há muuuuito tempo.

Pois bem, espero que vocês tenham curtindo minha aventura junto comigo. Meu sonho realizado.
Pros amigos que não estão no Facebook, aí estão as principais fotos:



Beijings,
Zái Jiàn
Até a próxima

sábado, 6 de fevereiro de 2010

(Last) Day 12

Pois bem, tudo que é bom dura pouco.
E posso dizer sem medo que acabou de forma, hmm, peculiar.

Fui, finalmente, fazer meu tour pela Muralha da China, por uma agência
que faz a visita a um ponto da Muralha e as Tumbas Ming. Resolvi não
fazer a caminhada de 9km que fazem aqui no albergue.

Entrei na van que já tinham 4 pessoas e claro, dormi no caminho (por
algum motivo infeliz, acordei às 4 da manhã e não consegui mais dormir).
Quando abro os meus olhinhos na chegada da Muralha, sabem o que eu
vejo?! Neve! Muita neve, caindo do céu.
Pela'mor... que frio era aquele???? Eu não sabia que o gelo chegava a
essa potência. Meus dedinhos dentro das luvas estavam congelados, meu
nariz caiu, meus lábios ficaram roxos e eu acho que eu morri por um segundo.
Nesse grupo, além de mim, estavam um casal de finlandeses e dois homens,
um alemão e um esloveno. A guia pentelha, largou a gente ali e começamos
a subir. Os homens foram muro acima, eu fui a última a começar a subir e
encontrei a mulher no meio do caminho. Trocamos um olhar de "que porra é
essa" enquanto o vento rachava nossa pele, e foi aí, no meio de duas
palavras tortas que ela me disse que estava grávida!!!!!! De seis
meses!!!! Eu achei que ela era só gordinha, por baixo dos casacos, uai.
Mesmo sabendo a resposta, resolvi perguntar se ela podia estar fazendo
aquilo. É, não!
O marido, pai da criança, já estava lá na Mongólia, imbecil. Achei
melhor ir subindo aos pouquinhos com ela, batendo um papo. Ela era muito
simpática até então.
Alguns degraus tinham uns 35cm de altura (mesmo) e tudo escorregava
muito (eu quase levei um estabaco, que acho que ia entrar pra história
da China. Me salvei. Ufa, não quebrei nada.). Então fomos nós, aos
pouquinhos, até que chegamos a 1ª parada e resolvemos que íamos ficar
por ali mesmo. Afinal de contas, não fazia o menor sentido subir mais,
porque quanto mais alto, pior era a visibilidade.
Mas admito que é impressionante, pensar que aquilo tudo foi construído
há tanto tempo, no braço, pedrinha por pedrinha... Muralha da China é
artesanato.
Enfim, tiramos umas fotos, fizemos uns amigos coreanos que passaram por
ali, enquanto isso, neve... e cadê o marido?!
Quando o alemão e o esloveno voltaram, resolvemos descer também, devagar
se vai ao longe.
Lembra que pra baixo todo santo ajuda? Na China não tem santo.
Então, descemos degrau por degrau, a passinhos de chinesas. Ela
praticamente se sentava pra descer alguns e segurava no corrimão, que
aliás, é de ferro e estava cheio de gelo, serve pra nada aquela bosta.
Fomos conversando sobre o tempo (falta de assunto é foda) e começamos a
falar sobre os países quentes e ela disse que da próxima vez queria ir
pra um país desse. Foi quando ela disse que a Indonésia seria um país
legal, mas tem muita pobreza e ela não gosta (!), ok, tá cheio de gente
por ai que prefere fechar os olhinhos, mas então ela disse que a África
do Sul também seria um país legal, mas se você é branco não é bom, por
que lá só tem negro. Aííííí meu bem, deixei a vaca se fuder sozinha na
neve e mandei a mulher pra puta que te pariu, junto com a puta que ia
parir o filho dela. AAHHHH!!!
Tá bom, volta a fita. Eu não fiz isso, porque eu sou uma pessoa melhor.
Fingi que não ouvi e continuei a descer do lado da mulher. Pelo menos
teria alguém pra gritar, se precisasse, né?!
Finalmente, chegamos lá embaixo e corremos pra van quentinha.

De lá fomos para a Jade Gallery, pra ver como as peças eram feitas a
partir das pedras de jade, comprar e boooring. Tá, eles fazem umas peças
maneiras, mas eu queria mesmo era ir para as Tumbas Ming, que era a
próxima parada do roteiro.

Desculpa, gente. O nome Tumbas Ming dá a sensação de que muito maneiro,
né? ...
Muito gelo, escorregava a beça, e a parte mais interessante que é um
palácio subterrâneo, é fechado pro público. Ah, vai catar floquinho de neve.

Depois dessa pequena decepção, fomos almoçar. Nunca vi um restaurante de
beira de estrada tão grande, tão chique e tão gostoso. Acho que foi a
melhor refeição chinesa que eu tive aqui. Não tinha um cardápio com
fotos bonitas pra gente escolher na sorte, eles traziam aquela
quantidade absurda de comida, mas variadas, não era muito apimentado e
tinha mais gente pra comer comigo. Eeeeeee!
Enchi o bucho e queria voltar pro meu quarto e tirar uma soneca, mas
quem disse que acabou?!

Fomos pra uma fábrica de seda, ouvimos toda a explicação de como é
feito, desde o bichinho da seda (que eles também comem por aqui) até o
edredon de seda. Blá, blá, blá, bom preço, boa qualidade, quem vai
querer?!?!?!
Ninguém comprou nada e fomos pra uma casa de chá.

E mais uma vez, explicação do chá que faz bem pra saúde, pra artrite,
pro sono, chá disso, chá daquilo. A parte boa é que fizemos degustação
de 4 tipos de chá. E quem vai querer comprar chá...

Última parada: massagem no pé! DE GRAÇA!!!!!!!! AAAAEEEEE!!!! Foi a
melhor parte do meu dia. Fomos pra um centro de saúde tibetano. Que fica
no espaço que foi criado pra atender os atletas durante as Olimpíadas e
agora abriram ao público pra utilizarem o espaço, né?! Será que contaram
pro Eduardo Paes e pro Sergio Cabral que pode usar os espaços depois?
Acho que eles não tão sabendo, não.
Críticas políticas à parte, a massagem não foi assim uma Brastemp. Não
se compara a massagem que eu fiz aqui perto do albergue. Mas era
massagem e era di grátis!!!

À noite, começou a nevar aqui também. Mas eu não vou levar à mal e vou
aceitar isso como um presente dos Deuses, pela minha visita.
É lindo ver a forma perfeita de um floco de neve. Dá até vontade de
congelar e levar pra casa. (!!!!!!!!!!!!)

Então, para me despedir de Beijing, fui com a Manu e com a Sandrine
tomar um drink e voltei pra fechar minha malinha e mimir pra voltar pra
minha casinha amanhã.

Pena que acabou. Realmente, realizei um sonho. O que vi e vivi aqui,
ninguém poderia me contar.
Mas estou feliz por voltar pra casa, matar a saudade da mamãe histérica,
da família, dos amiguinhos, da comida. Alguém me dá um prato de arroz,
feijão, bife de picanha e batata frita, por favor?! Troco por um
chaveirinho de panda.
E depois do frio que eu passei hoje, bora pra praia.

Esse é o último post de Beijing. Quando chegar em casa, escrevo o post
de despedida e coloco o link pra todas as fotos. Mas coloquei uma prévia aí.

Beijings,
Zài Jián

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

Days 10 & 11

FOI MAAALL!!!
Não escrevi ontem, eu sei. Mas não tinha muita coisa pra contar mesmo,
então vale um post compacto.

Ontem, saí de manhã e fui andar sem rumo ali pela área da Tian'anamen,
encontrei um parque, sentei um pouquinho, pensei um pouco na vida, andei
um pouco pelo parque, que tem uma área infantil e é a coisa mais fofa!!!
As crianças asiáticas são fofas demais.
Já à tarde, voltei pro albergue... tá bom, desculpa, comprei um lanche
no McDonald's e voltei pro albergue. Comi vendo um filminho, tirei uma
soneca, vi mais um filme e fui caçar meu jantar. Descobri uma
mini-lujinha de conveniência aqui na rua (falei que essa rua é o que
há), de um casal muito simpático, comprei o jantar e a sobremesa: um
baldinho de noodles instantâneo (tô viciando) e uma caixinha que vem com
2 bolinhos, que são uma espécia de alfajor, coberto com chocolate e
recheio de marshmallow. Ainda comprei um chicletinho e isso tudo me
custou 8 yuans, algo em torno de R$2.
Claro que depois dessa voltei na lujinha, né?! Mas isso vocês podem ler
daqui a pouco.

Hoje, eu iria à Muralha, mas depois de os cabras me acordarem às 7h30 da
manhã, me perguntaram se poderíamos ir amanhã, porque hoje eu teria que
ir sozinha e amanhã tem um grupo pra ir. Como prefiro andar em bando, em
certas circunstâncias, topei.
Então, tomei meu café e voltei pra dormir, sóóó mais um pouquinho.
Acordei, fui tomar meu banho quentinho, enquanto pensava o que faria
hoje: vou pro mercado. Desculpa.

Peguei meu ônibus em direção ao Yashow, saltei em frente ao mercado,
atravessei a passarela e voilá!
É um mercado bem bonitinho e muuuito mais civilizado. Não tem tanta
variedade em termos de produtos quanto os outros mercados, mas os
vendedores somente te abordam ao invés de te atacarem.
Mas também mudei minha tática. Agora eu entro, ando o mercado inteiro,
andar por andar, com cara de quem não quer nada e escolho o que eu
quero, então eu volto e digo só tenho "tanto", quando elas tentam um
pouquinho a mais, digo que aquele é todo o dinheiro que eu tenho, que
pena. Nessa, comprei uma blusa que custava 280 yuan, por 60 yuan. Só
cuidado, elas não podem ver o seu dinheiro e não fazem a menor cerimônia
pra olhar dentro da sua carteira ou da sua bolsa.
É bem verdade que o que eles querem e vender e acabam fazendo qualquer
negócio, mas chega uma hora que dá pena. É preciso ter um pouco de ética
na hora de barganhar também, o que pra gente não vale quase nada, pra
eles faz uma diferença.
Dessa forma, pude me controlar, comprei só o que estava procurando e voltei.
Passei na lujinha, fiz compras de mês, hehehe, brincadeira. Mas fiz uma
sacolinha e fui pra salinha de tv, almoçar meu "Bucket Noodles" (Cup
Noodles... Bucket noodles... ah, deixa pra lá), encontrei a Manu,
almoçamos juntas e fomos dar uma voltinha pra comprar umas frutas.

Pois bem, compramos as frutinhas, resolvemos andar mais um pouquinho,
entramos numa loja de chá, comprei um chazinho, que acredito que não
será confundido com nenhum tipo de entorpecente na PF, e resolvemos
tentar uma casa de chá. Andamos, andamos, e encontramos a "Time for Be
Tea House".
Maluco, por que??? Por que só hoje???? O lugar é um espetáculo. Você
paga 18 yuans, e toma o que quiser, por quanto tempo você quiser.
P-O-R-R-A!!!
Ok, supera e segue em frente! Tomamos uns chazinhos, fumamos um
cigarrinhos (sim, podemos fumar em bares e restaurantes aqui), comemos
umas sementinhas fritas (feijão verde, semente de melão e um negócio que
eles chamam de amendoim, mas só é amendoim na China) e viemos embora.
Mas no caminho, parei numa loja de cds e dvds pra ver se finalmente
encontrava o "Pequenas Flores Vermelhas", filme chinês, lindo, que vi no
Telecine Cult e nunca mais encontrei, não tinha, então comprei um
filmeco por 13 yuans, e vim determinada a cumprir uma missão: Comprar o
meu panda!!!!

Muito contra minha vontade, desisti do plano de sequestrar o panda. Eu
não sabia que eles ficariam atrás de um vidro, isso foi maldade.
Então resolvi comprar um de pelúcia mesmo, mas não consegui encontrar um
do meu agrado, em forma e tamanho, nem nos mercados. Eu não sei porque
diacho eles fazem uns pandas em forma de bola aqui. Não é legal.
Porém, numa loja exatamente em frente ao albergue tinha o cara que eu
queria pra mim, ficava olhando pra ele da janela do meu quarto.
Hoje era minha última chance, então eu fui! Manu me acompanhou na
tentativa de barganhar até a mulher chorar. Não adiantou muito, ela é
meio ruim de jogo.
Eu queria comprar por 120 e ela queria vender por 180 yuans, nos
encontramos no meio do caminho e eu comprei por 150 yuans.

Atravessei a rua, feliz da minha vida, entrei no albergue, as meninas da
recepção ficaram muito felizes por mim (sim, eu já tinha feito uma
corrente por aqui), deixei meu filhinho no meu quarto e agora vou fazer
um lanchinho vendo o filmeco que eu comprei e vou subir pra arrumar as
minhas malas. :'(

E amanhã, finalmente vou à Muralha da China e ao Ming Tombs.

Tô chegando, meu povo.
Beijings

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

Day 9

Dia de boas notícias:
Meu nariz parou de sangrar. É ele ficou bem irritado com o tempo, mas
agora ele já aceitou.
O china curou minha perninha, que doía um monte e agora não dói mais,
mesmo quando eu ando.
E eu fiz uma amiga. Ela é francesa e se chama Emanuelle (coisas das
quais ela não tem culpa). E ela fala português, morou alguns meses no
Brasil, no Pará (relevem) fazendo pesquisa, ela trabalha com
agricultura, whatever. E o português dela não é ruim, não. Ela me
ajudaria muito se fosse trabalhar na Air France, porque aquele povo só
fala francês e olhe lá. Entender o inglês deles é mais difícil que
entender o inglês dos chineses. O Português então, chega a ofender.

Bom, Manu (bem melhor, né?!), Sandrine (outra francesa aqui) e eu, fomos
almoçar no Luogu, um restaurante que tinham me indicada no Orkut e fica
aqui na rua do hostel. Claro que veio comida pra um batalhão, muito
gostosa e claro apimentada. Não sei qual é o problema desse povo com a
tal da pimenta.

Depois Manu e eu fomos para o Parque BeiHai, é muito bonito! Tem os
pequenos templos, um lago congelado (oooohhhhh), e um templo tibetano no
meio do lago, chamado White Dagoba. É uma porrolha branca no meio do
parque. Andamos o parque inteiro o que é sempre muito agradável e muito
divertido de assistir os chineses que ficam dançando, cantando, gravando
uns videozinhos esquisitos.

No caminho de volta, paramos na China Mobile, porque a Manu queria
comprar um celular, mas como aqui não tem competição entre Oi, Claro,
Tim e Vivo, a China Mobile só vende os números, você compra o aparelho
em outro lugar. Só que eles estavam sem número hoje!!!!!!!!! É, hoje não
tinha mais número, agora só amanhã, que deve chegar mais. Que porra é
essa????

Passamos na tal da Suning, que é uma grande loja de eletro e eletrônicos
aqui pra Manu comprar o aparelho. Quase morri, querendo comprar uns 3
modelos diferentes de celulares que a gente não vai ver nem tão cedo, e
mais um monte de coisas que deixariam a cozinha da mamãe muito feliz e a
japonesa nerd por eletrônicos que me habita, também.
Final das contas, ela comprou o aparelho dela, nos divertimos muito com
o vendedor que não falava um pingo de inglês e voltamos pro albergue.

Assisti metade de Bastardos Inglórios tomando um chocolate quente e
agora vou me aconchegando, aproveitando meus últimos dias de soninho no
inverno.

Beijings,
Zài Jián

terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

Day 8

Mais um dia de alegria.
Fui para o Templo do Céu, andei pra cacete, mas não estava perdida,
tinha que andar mesmo.
Lá dentro é muito legal, bem mais histórico do que bonito. Mas vale uma
voltinha pelo parque que circunda o templo, aonde os chineses passeiam,
praticam tai chi e cantam. Sim, cantam.

Em seguida fui para o Mercado das Pérolas. Cruzes. Não quero voltar lá,
não. Gastei todo o meu dinheiro em menos de meia-hora. Loucura, loucura,
loucura. A merda é que o carregador de pilhas que eu comprei, NÃO
FUNCIONA. Velha safada. Até queria voltar lá, mas não sei brigar em
chinês e a menina do albergue disse que não vale a pena. Nem foi muito
baratinho, não. Mas a turista otária aqui tava crente que tinha feito um
bom negócio comprando um Sony. Espero que o pen-drive funcione direito. PQP.

Enfim, voltei pro albergue, almocei às 4 da tarde, assisti "2012" (pra
que?!?!?!) e resolvi ir fazer uma massagem nos pés. Sim, porque na
China, a perua viciada em massagem que existe em mim, aflora feito um
dragão.

Chegando lá, dei de cara com uma tal de massagem pros rins. Bom,
massagem na China, mal não vai fazer. Resolvi fazer essa também.
Encontrei o pai da minha filha chinesa. Não, ele não é rico, não é
bonito, não entende o que eu falo (e vice-versa, o que pode ser bom pra
nossa relação), mas ele faz uma massagem feeenooooomeeenaaalll!!!
Ok, a verdade é que ele é um vendedor chinês de marca maior, mas com
mãos de fada. Enquanto ele preparava meu pé para a massagem, me ofereceu
o serviço de pedicure. Aceitei. Bom, depois de um escaldapés, numa sala
silenciosa com cheirinho de incenso e um cara apertando meu pé, eu não
tinha condições de dizer não pra nada. Se ele oferecesse raspar minha
cabeça por 300 yuans naquele momento, eu provavelmente aceitaria.
Pedicurizinho... começamos a massagem, a cada expressão de dor ou alívio
que eu fazia, ele dizia "esse é o estômago", ou "esse é o sono", "as
costas" e assim por diante. Depois de estar perdidamente apaixonada,
mudamos de sala para a massagem do rim.
Ele pediu pra eu tirar a blusa (hhhhmmmmm) e deitar (de barriga pra
baixo, gente) e começou a massagem. PQP, como doía e cada "ai" que eu
dava ele perguntava: "it hurts?" - Não, tô gemendo de prazer, china
idiota.
Sem contar que ele apertava, eu dizia "ai", "yes, it hurts" e ele
dizia: "no good, no good". Poxa, isso magoa.
Maaaas, antes de acabar ele pegou a tabelinha e me ofereceu mais uma
massagem para as costas e para os ombros. NÃO! Estava tudo acabado entre
nós.

Na real, eu não conseguia nem pensar no caminho de volta, parecia que eu
estava derretendo. Comprei um biscoitinho na recepção, subi e ninei como
um bebê.

Notas:
Os comerciais do OMO e do Close-Up na China são muito mais legais que no
Brasil.
KFC aqui vende milho cozido no palitinho.

Zài Jián

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

Day 7

Pra começar bem o dia, uma mãe histérica e uma ligação da Embaixada do
Brasil na China. Tudo por causa de um terremoto que aconteceu em
Sichuan, sudoeste do país. Só pra relembrar: eu estou no norte do país.
Aquele N que fica do lado oposto do S, na bússula.
E eu nem sabia, tava dormindo, tranquiiiila. Aliás, ô coisa boa de se
fazer aqui, nesse frio...
Ok, não é segredo pra ninguém que eu gosto de dormir, mas é que pode-se
ser muito bem aproveitado, por exemplo:
Um frio da porra do lado de fora, quarto aquecido, pijama de inverno,
escuro e silêncio. Daí, não é só "dormir", é a "arte de dormir".

Enfim, drama à parte, fui. E pra melhorar o dia, não me perdi!!!! Acho
que é a primeira vez que saio sozinha, que isso acontece, ou melhor,
não acontece.
Fui pro lado certo da rua (!!!!!!), peguei o ônibus, saltei na parada
certa, peguei o metrô, conversei, ou tentei conversar com uma chinesa
muito simpática que ficava tentando treinar o inglês dela comigo e me
ajudar a chegar na estação certa (só que DESSA vez eu não precisava), e
tcharam! Cheguei ao Palácio de Verão. Tô ficando local em Pequim!

Logo na entrada, na fila do ingresso, conheci um australiano e um
francês e resolvemos andar juntos pelo Palácio. Os carinhas eram
maneiros, mas não consigo me lembrar os nomes de jeito nenhum.
O palácio é lindo e enorme. E adivinhem o que tem lá (quem acertar essa
ganha um chaveirinho de panda): Escadaaaa!!! Mas pelo menos, eram em
doses homeopáticas.
Dentro do palácio pra se acessar alguns lugares, você tem que passar por
umas caverninhas feitas de pedra, um charme. E como não podia deixar de
ser, um lago congelado, pra colaborar com o frio, que é pouquinho......

Na saída, já eram 14h30 e almocei uma panqueca chinesa (que treco bom),
me despedi dos coleguinhas gringos e fui para o Templo Lama. Um dos
melhores lugares que vi até agora.
Encontrei a budista que existe dentro de mim.
No caminho da saída do metrô até a entrada do Templo, tem uma infinidade
de lojas de incensos. Quando entrei entendi o porquê.
Esse é um verdadeiro templo budista. Lá dentro é um lugar de oração e
reflexão, cheguei até a me sentir um pouco desconfortável, com a
sensação de que estava incomodando, querendo tirar fotos, enquanto as
pessoas, acendiam seus incensos e faziam suas orações. Mas eu não pude
evitar, o lugar é lindo, as imagens são lindíssimas. Se alguém me
disser que existe um templo budista mais bonito que esse, eu pago pra ver.
Ah, lembra quando eu disse que no Parque Jingshan estava a maior imagem
de Buda que eu já tinha visto (se não lembra vai ler o histórico)?
Então, menti.
No Templo Lama, existe um Buda que é uma espécie de Cristo Redentor, só
que fica dentro de um templo. Sério mesmo, não dá nem pra tirar foto, e
dá um torcicolozinho básico ficar olhando pra ele.
E lá, quem cuida do templo não são os guardinhas que ficam me encarando,
parecendo até que sabem que eu sou brasileira, os guardiões do Lama são
os próprios monges. Não que eles não fiquem me encarando também, mas tem
mais charme, hehehehe.
Até que mandaram todo mundo embora porque o Templo estava fechando.
Sacanagem.

Voltei pro albergue, comi um mega hamburguer com fritas e uma sprite
(que além de chá, é a única coisa que eu bebo aqui) e fui pro meu
quarto. Eu não sei o que acontece nesse quarto, que só de entrar me dá
um soooono. Dormi com as galinhas de novo.

Hoje vou ao Templo do Céu, esse nome me dá a ligeira sensação de que vou
ver muita escada.

Beijings
Zài Jián